Ação da Codevasf leva água a três mil moradores do Polígono da Seca no Norte baiano


Cerca de 3 mil moradores da zona rural no Norte da Bahia – uma região inserida no Polígono da Seca – terão, até o final deste ano, alívio em meio a um quadro de estiagem severa e prolongada: por meio de uma ação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), uma centena de poços tubulares estão sendo perfurados e instalados em comunidades rurais difusas de 20 municípios, levando água de lençóis freáticos no subsolo para quem sofre com a escassez de chuvas. 
Do total de 100, já são 42 poços em funcionamento – como aquele que traz água até a porta da casa da família da agricultora Eunice Rodrigues, moradora da localidade de Sítio Cardoso, município de Campo Alegre de Lourdes. “Agora vamos poder cultivar uma horta e cuidar melhor dos pequenos animais que criamos. Também vou usar a água para lavar louça e cozinhar”, celebra a agricultora. 
O investimento é de R$ 5 milhões, recursos oriundos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional. Os serviços incluem, além da perfuração e instalação de poços, a implantação de bomba injetora movida à diesel, instalação de caixa d’água com capacidade para dez mil litros e construção de bebedouro para animais. A depender da vazão, que pode variar entre 300 a 12 mil litros por hora, são instalados cata-ventos para a sucção do líquido. 
Na região Norte da Bahia estão sendo beneficiados os municípios de Abaré, Campo Alegre de Lourdes, Casa Nova, Chorrochó, Curaçá, Jeremoabo, Juazeiro, Macururé, Miguel Calmon, Mirangaba, Morro do Chapéu, Pilão Arcado, Santa Brígida, Remanso, Rodelas, Uauá, Umburanas, Sento Sé, Sobradinho e Jaguarari. 
Segundo explica Valmara de Souza, engenheira civil da 6ª superintendência regional da Codevasf, sediada em Juazeiro, e responsável pela fiscalização das obras, os poços são perfurados com o uso de um tubo de aço ou PVC até que se encontre uma fratura da rocha no terreno e a presença de água. 
“Então, é verificada a vazão e a qualidade da água. Uma parte dos poços perfurados pode apresentar água salobra – e, nesse caso, esse recurso natural não é destinado para consumo humano, mas usado para dessedentação animal e para outros fins”, acrescenta. 
“Estamos vivendo um período de longa estiagem no semiárido, e muitas famílias sofrem com isso. Nosso trabalho está voltado para proporcionar a essas pessoas uma melhor qualidade de vida e viabilizar o acesso à água para que elas possam manter e melhorar suas atividades no campo”, afirma a engenheira da Codevasf. 
Polígono da Seca 
Campo Alegre de Lourdes é um município com cerca de 30 mil habitantes, situado a aproximadamente 799 km da capital baiana, e está distante 120 km da calha do rio São Francisco. 
O município está inserido no Polígono da Seca, território denominado pela legislação brasileira como sujeito a períodos críticos de prolongadas estiagens, e algumas áreas susceptíveis à desertificação (SAD), passaram a ser denominadas, por convenções internacionais, de semiárido brasileiro. 
Estas áreas abrangem territórios dos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e extremo norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. 
O Polígono das Secas subentende uma divisão regional político-administrativa dentro da área semiárida, apresentando diferentes zonas geográficas com distintos índices de aridez, indo desde áreas com características estritamente de seca, com paisagem típica de semideserto, à áreas com balanço hídrico positivo, como a região de Gilbués, no Piauí. 
Caracteriza-se basicamente pelo regime de chuvas, definido pela escassez, irregularidade e concentração das precipitações pluviométricas num curto período de cerca de três meses – durante o qual ocorrem sob a forma de fortes aguaceiros, de pequena duração  {-,|-,}  tem a Caatinga como vegetação predominante e apresenta temperaturas elevadas. 

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